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SUS é Democracia, afirma presidente da Fenafar em abertura do Abrascão 2018

Saúde

A resistência contra todos os ataques aos direitos sociais do povo brasileiro e a luta em defesa da democracia, da soberania nacional e das instituições públicas deram o tom na abertura do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão), nesta quinta-feira (26/07), no Rio de Janeiro.

Realizado com a participação de 7.500 ativistas, o Abrascão é o maior evento de saúde da América Latina, reunindo pessoas de diferentes países. Dirigentes da Fenafar e de Sindicatos dos Farmacêuticos de vários estados do país também participam do evento. O congresso científico, com ampla compreensão sobre saúde coletiva e direitos à saúde, ocorre a cada três anos e em 2018 está acontecendo na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos.

A abertura do Abrascão contou com a presença de várias autoridades e pesquisadores e ativistas da área da Saúde e, também, com a participação da ex-presidenta do Chile, Michele Bachelet, que fez a palestra: “Direitos e Democracia: sistema universais e públicos de saúde”. Ela apresentou um panorama da atual situação da saúde pública em diferentes países da América Latina. “Há uma ofensiva dos setores conservadores contra SUS e não podemos deixar que isso nos abata. Entre os principais desafios para o alcance da saúde pública integral para todos está a garantia de investimento público. O essencial é não perder o foco, e o foco são as pessoas”, avalia. Leia mais aqui.

O presidente da Abrasco, Gastão Vagner, abriu oficialmente agradecendo os 7.572 inscritos, ressaltando o papel da comunidade da Saúde Coletiva na realização do evento. Ele destacou a natureza híbrida dos congressos da Abrasco, que junta o componente científico, fruto das investigações, estudos e pesquisas desenvolvidas em Saúde Coletiva com o caráter político. “A gente vem ao Abrascão para trocar ideias, discutir, aprender e tirar diretrizes e plataformas para nossa ação nos próximos anos em cada local, em cada sala de aula, em cada serviço de saúde e nos nossos movimentos sociais. A gente vem para carregar nossa energia e confirmar para nós e para a sociedade que a esperança somos nós.

“O governo federal, nos últimos dois anos, se transformou em adversário da Abrasco, mas o Abrascão sempre foi também um congresso político. Daqui vamos tirar diretrizes, plataformas, projetos para a nossa ação ao longo dos próximos anos, recarregar nossa energia e confirmar para nós mesmos que a esperança somos nós. Nosso movimento insiste e resiste avançando”, completou o presidente da Abrasco, Gastão Vagner.

Saúde é Democracia

O Controle Social reuniu no Abrascão 536 conselheiros de saúde, promovendo uma série de atividades, tribunas livres e mesas redondas em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos direitos humanos. 

O presidente do Conselho Nacional de Saúde e presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, fez sua intervenção chamando a atenção para a importância da luta em defesa do SUS e como ela se confunde com a luta pela própria democracia. "O que nos move a pontos de estarmos reunidos aqui? Que força é essa que pulsa dentro de nós que, mesmo quando estamos exaustos na batalha, ela é capaz de nos reerguer? Mesmo diante dos ataques do SUS, dos nossos direitos e da democracia faz com que estejamos juntos aqui?”, perguntou. 

Essa força é o desejo de um Brasil com democracia e direitos para todos. "Temos que ser disseminadores de reflexão e não de ódio. Da resistência em vez do cansaço. Para isso, contra a ascensão do fascismo, trazemos nossa inteligência coletiva, nossa sede de um Brasil melhor e mais justo, isso tem que estar refletido nas nossas práticas diárias, na autocrítica, na nossa militância, no nosso voto nas eleições gerais”, afirmou.

Ronald listou uma parte importante dos retrocessos e dos ataques promovidos aos direitos sociais no Brasil após o impeachment fraudulenta que destituiu uma presidente legitimamente eleita para que as forças do mercado pudessem aplicar a agenda neoliberal no Brasil: Emenda Constitucional 95, Reforma Trabalhistas, Terceirizações, fim do programa farmácia popular, flexibilização do uso de agrotóxicos, o assassinato de defensores de direitos humanos como Marielle Franco, homenageada na abertura do evento.

Ronald também citou retrocessos no campo internacional, lembrando das crianças enjauladas nos EUA, da ofensiva contra a soberania de vários países, e ressaltou que “não podemos esquecer que a nossa luta também é global”.

Ele afirmando que para mudar a correlação de forças na sociedade é preciso trazer o povo para a defesa da democracia. "Na década de 80 nós mobilizamos o povo brasileiro em torno da agenda que mais interessa o povo que é a Saúde. Por isso, inspirados nesse potencial e generosidade do povo brasileiro nós convocamos a 8ª + 8 = 16ª Conferência Nacional de Saúde”. Ronald recuperou a importância estratégica e o marco político democrático e para a garantia do direito à Saúde que representou a 8ª Conferência. 

"Nós temos que discutir a indissociabilidade entre democracia e Saúde, esse foi o tema da 8ª e será o tema da 8ª + 8! Saúde não é mercadoria e o povo tem que ser o principal defensor dessa agenda”, concluiu.

Da redação com informações da Abrasco e do SUSConecta
Publicado em 27/07/2018

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