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Segunda, 09 Novembro 2015 21:25

Diretora da Fenafar fala sobre o jovem no movimento sindical

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Junia Dark, diretora regional Sudeste da Fenafar, participou do seminário Desafios Profissionais e Protagonismo do Jovem Engenheiro, realizado em São Paulo. O evento contou com a participação de estudantes e recém-formados na sede do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (Seesp), reunindo mais de 80 pessoas. Segundo a diretora da Fenafar: “foram dez horas de palestras e debates vibrantes e entusiasmados sobre a participação da juventude engenheira na construção de uma nova etapa do sindicalismo, legislação, mercado de trabalho e democratização da mídia. A palestra de Junia foi sobre O Jovem e o Movimento Sindical.

 

Sindicalismo brasileiro – resgatando um pouco da história

 

No primeiro painel do seminário, “A participação dos jovens engenheiros na construção de uma nova etapa do sindicalismo brasileiro em defesa de sua profissão”, o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto falou sobre a classe trabalhadora brasileira, nos idos dos anos 1900, formada por negros recém-libertados da escravidão, completamente desorganizados, e mão de obra estrangeira, vinda, principalmente, de Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha etc.. “Naquela época, o Brasil era uma imensa fazenda ainda. Estávamos iniciando as nossas indústrias.”

 

Ele explicou que, em razão dessa diversidade cultural e de nacionalidade, os primeiros jornais sindicais não eram escritos apenas em português, mas em espanhol, alemão, francês e italiano. E foram os estrangeiros que criaram os primeiros sindicatos do País, com as reivindicações unitárias dos trabalhadores do mundo, como a da jornada de oito horas diárias, contra o trabalho infantil e em defesa de salários iguais para as mulheres.

 

O consultor recordou que as primeiras manifestações operárias se deram na Inglaterra, berço do capitalismo, com a quebra de máquinas, movimento que ficou conhecido como Ludismo, cujo nome deriva de Ned Ludd, personagem que lendário que destruía as máquinas sempre vestido de mulher.

 

Na sequência, os trabalhadores criaram o “cartismo”, movimento ocorrido também na Inglaterra, entre as décadas de 30 e 40 do século XIX. “Eram cartas escritas com as bandeiras dos trabalhadores.”

 

A partir de então, outras formas de luta foram agregadas, como a greve, “uma palavra-chave da ação sindical”. As primeiras paralisações realizadas no Brasil, segundo Vargas Netto, precedem a organização em sindicatos, como a dos estivadores de Fortaleza (CE), em 1853, que se negaram a fazer o desembarque de navios com escravos vindos da África. A segunda, em 1856, foi a dos gráficos que paralisou os principais jornais da capital do Império, no Rio de Janeiro.

 

O consultor sindical mostrou que o movimento sindical, ao longo da história do Brasil e de outros países, sempre desempenhou papel extremamente civilizatório e humano. Por isso, lembrou, na instalação da ditadura militar-civil de 1964, em território nacional, os sindicatos foram tão perseguidos e aterrorizados.

 

Para ele, a partir da década de 1970, o capitalismo se propôs a destruir as formas de convívio da sociedade humana, colocando em cheque a sociabilidade e as organizações. Por essa razão, inclusive, acredita Vargas Netto, hoje existe um estranhamento do movimento sindical com relação às aspirações dos jovens, e vice-versa.

 

“O fato de ser velho ou jovem não é vantagem ou desvantagem. Há uma linguagem que pode ser comum.” Ele finalizou a palestra recorrendo a uma frase do ex-presidente do Uruguai, José Mujica, para que os jovens vivam como pensam, porque senão serão obrigados a pensar apenas como vivem.

 

Anjo da guarda

 

Júnia Lélis foi a segunda palestrante do painel, diretora do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais e da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), a partir da experiência própria, de ter “descoberto” o sindicato logo após a sua diplomação como farmacêutica bioquímica, disse que ficou encantada quando começou a frequentar as reuniões. “Cresceu em mim a semente da indignação.” Segundo ela, os jovens ao se formarem perguntam: “E agora?”. “É um momento que mistura medo, ansiedade pelo futuro, alegria e dúvidas sobre pós-graduação e o mercado de trabalho.” Para ela, o sindicato é o “anjo da guarda” do profissional. E relacionou: “É ele quem vai lutar por salário e condições de trabalho decentes. Não existe categoria forte com sindicato fraco.”

 

Ela descreveu quem é esse jovem que está afastado ou desconhece o sindicato: ele é conectado, mas tem pouca formação e ou aversão à política; é individualista e tecnicista. Esse jovem, continuou, habita o universo do “mais profissionais no mercado e menos sindicalizados”, da criminalização, pela mídia, dos movimentos sociais. Apesar de tudo isso, Junia lamentou que a juventude ainda não é uma pauta do sindicalismo brasileiro. Por isso, defendeu se pensar em estratégias para atrair os jovens, como assembleias ou formação de pauta de reivindicações online, a modernização dos jornais e criação de boletins eletrônicos, a criação de perfis nas redes sociais e a comunicação utilizando o aplicativo WhatsApp.

 

Democratização da mídia

 

Finalizando a atividade do dia 7 de novembro, o painel IV reuniu os jornalistas Altamiro Borges, o Miro, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, João Franzin, da Agência Sindical, e Rita Casaro, coordenadora do setor de comunicação do SEESP. O tema tratado foi a democratização da mídia no Brasil.

 

Para Miro, há um consenso no mundo da forte influência da mídia na vida das pessoas e dos países e de que ela está nas mãos de poucos grupos econômicos. No Brasil, por exemplo, informou, são sete famílias controlando 80% do que se produz em termos de informação e comunicação em todo o território brasileiro. “É um grande poder que mexe com a subjetividade humana”, advertiu e explicou que esses grupos têm interesses econômicos e políticos e estão associados a bancos, indústrias de armamento e ao agronegócio. Com esse perfil econômico e político, “a mídia ajuda a construir e a destruir uma nação e reputações”.

 

Ele criticou a mídia brasileira que, diferentemente de outros países, não tem um projeto nacional. “Ela é totalmente colonizada, sem espírito democrático e não vacila em apelar ao autoritarismo, foi o que ela fez em 1964, ao preparar e apoiar o golpe civil-militar, e totalmente antissindical.” Por isso, prosseguiu, a sociedade tem o grande desafio de lutar pela democratização da comunicação, começando pela regulamentação dos artigos 220, 221, 222 e 223 da Constituição Federal, onde estão previstas a comunicação regional e as empresas de informação privada, pública e estatal.

 

Miro informou que já existe um projeto de lei de iniciativa popular com 33 artigos e que precisam ter mais de um milhão de assinaturas para ser apreciado pelo Congresso Nacional. Quem quiser conhecer o projeto e já assinar a matéria deve entrar no site www.fndc.org.br.

 

Invisível

 

João Franzin, que trabalha na imprensa sindical há 30 anos, disse que a própria engenharia propiciou avanços tecnológicos que ajudaram a comunicação dos trabalhadores, que hoje tem mais facilidade e rapidez em elaborar jornais e boletins informativos. A importância da imprensa própria das categorias se deve porque o trabalhador para a mídia comercial é clandestino e invisível. “Ele não existe para essa mídia.” Já a imprensa sindical é militante, engajada e tem lado e a melhor linguagem que ela tem é dizer a verdade sempre. “Falar a verdade é o que garante a credibilidade de um sindicato.”

 

Junto à evolução tecnológica na área da comunicação, disse Franzin, os trabalhadores também estão aprendendo a serem interativos, entrando nos sites e nos perfis nas redes sociais dos sindicatos. Na atualidade, o jornalista defende a horizontalidade da comunicação sindical, ou seja, os sindicatos devem falar mais sobre os assuntos de outras categorias, e não apenas as próprias.

 

Casaro reforçou que a imprensa comercial criminaliza a luta das categorias profissionais e, às vezes, torna as ações sindicais invisíveis. A coordenadora descreveu toda a área de comunicação do sindicato, que produz conteúdos para jornal, sites, redes sociais, programa de televisão, boletins e outras publicações. Ela pediu para que os estudantes, assim como os profissionais, acessem “os veículos do sindicato que são feitos para vocês”. E concluiu: “O trabalho da comunicação serve à ação sindical.”

 

Fonte: SEESP
Publicado em 09/11/2015