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SP: Ato em frente a Secretaria de Saúde denuncia fechamento das farmácias nas UBS

Fenafar e Sindicato em ação

Dezenas de farmacêuticos estiveram nesta quinta-feira, 9, em frente à Secretaria Municipal de Saúde para protestar contra a proposta do prefeito João Dória de fechar as farmácias das Unidades Básicas de Saúde. A manifestação foi marcada na assembleia do Sindicato dos Farmacêuticos de São Paulo, que aconteceu no último dia 04.

 

O presidente do Sinfar-SP, Glicério Maia, disse no ato que o sindicato vai lutar para impedir o fechamento de mais de 570 farmácias e defender o trabalho dos farmacêuticos e outros profissionais, que nas UBS's atendem o usuário e prestam o atendimento farmacêutico.

“Assistência Farmacêutica é um direito de todo cidadão, estamos lutando para que as pessoas tenham o direito de ter assistência farmacêutica no SUS”, disse a farmacêutica Flávia durante o ato.

Assim como na assembleia, o ato contou com a participação de representantes de usuários e de várias organizações sociais. Entre eles, Sérgio Lima, do núcleo Itaquera do Fórum Popular de Saúde de São Paulo. Ele tem realizado manifestações na Zona Leste por causa da falta de medicamentos na farmácia da Unidade Básica de Saúde do Jardim Helian, no Parque do Carmo. “Sempre tinha alguma coisa; já peguei durante muito tempo até medicamento de uso controlado para minha mulher. Mas agora não tem nada. E para piorar, não temos nem farmácia no bairro".

A situação é tão séria, segundo Lima, que os moradores protestaram ontem (8) em frente à unidade de saúde para cobrar reabastecimento e distribuição de medicamentos. "Abrimos o microfone para as pessoas opinarem sobre a falta de remédios e o processo que pode levar ao fechamento da farmácia que funciona ali. O pessoal está tão indignado que queria sair em marcha ontem mesmo. Mas decidimos esperar mais uns dias até que haja uma definição. Se for preciso, vamos marchar, trancar a Avenida Jacu Pêssego", disse.

O líder comunitário conta que foram feitos cartazes e até um mural, onde os usuários colaram as receitas médicas que não foram atendidas por falta de remédios. "Se for necessário, vamos procurar a supervisão de saúde, buscar outros órgãos. Esse desabastecimento, proposital, é para reforçar junto à comunidade a percepção negativa em relação às farmácias do SUS, de que não funcionam. Isso aí é para dizer 'olha, está ruim, não tem mais jeito, vamos ter mesmo de fechar'. Essa é a nossa opinião."

Privatização da Saúde

Embora afirme tratar-se apenas de uma proposta ainda em estudo, a gestão Doria sinaliza que o projeto avança rapidamente. Depois de se reunir com executivo da rede Raia Drogasil, o secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, alegou no último dia 31, não ter condições de entregar remédios nas UBS "porque é impossível competir com a rede logística das farmácias (privadas)". Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Pollara afirmou que "só para eu ter o estoque de remédios nas UBSs, tenho de ter um investimento de R$ 100 milhões. Sendo que esse remédio já está lá na prateleira da farmácia".

No último dia 8, os gestores anunciaram que laboratórios farmacêuticos estariam "doando" 165 tipos de medicamentos, “sem contrapartida” para a prefeitura, para suprir a falta de remédios na rede municipal. Versão questionada pela vereadora Juliana Cardoso (PT). Para ela, esses laboratórios serão beneficiados pela prefeitura, que pagará pelos remédios desses laboratórios que serão distribuídos nas farmácias comerciais. Um negócio estimado em mais de R$ 300 milhões por ano.

Da redação com RBA
Publicada em 13/02/2017

 

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