O Tribunal Regional Federal (TRF) da Primeira Região, em Brasília, suspendeu parcialmente a liminar que garantia à Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) o direito de comercializar não-medicamentos e serviços, além de vender remédios sem prescrição médica em prateleiras ao alcance do consumidor. Assista à entrevista do diretor do CRF-SP, Rogério Menegasso, ao jornal da Globonews sobre a RDC.
Com a decisão, as 28 redes que representam as 2,6 mil lojas vinculadas à entidade terão de se submeter às regras definidas na resolução 44 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada há seis meses e que entrou em vigor ontem. A decisão vale para todo o país, exceto o Distrito Federal.
Fruto de mais de dois anos de discussão com vários setores da sociedade, a resolução dispõe sobre as boas práticas farmacêuticas no país. Entre seus dispositivos, proibi a venda de produtos alheios à saúde, como comidas e bebidas, e determina que os remédios sem prescrição médica fiquem atrás do balcão.
Em outubro do ano passado, a Abrafarma ingressou com pedido de liminar para suspender a aplicação da resolução, argumentando que somente uma lei poderia alterar as regras de comercialização de medicamentos. A 5ª Vara da Justiça Federal concedeu a medida, agora suspensa pelo TRF. O não cumprimento das normas pode resultar em multas que vão de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.
Há décadas nos acostumamos às notícias sobre o caos na saúde pública. A imagem que vigora é a de que o Sistema Único de Saúde (SUS) não funciona e seus usuários estão em risco quando precisam de atendimento. Não é o que mostra recente pesquisa do Ipea que, em 2010, ouviu usuários em todos os Estados, constatando que 45% a 48% deles estão satisfeitos com o SUS. E mais: há soluções inovadoras nos municípios, cuja gestão elege a saúde como prioridade.