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Ipea:Postos de trabalho gerados na última década têm baixa remuneração |
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A redução da desigualdade social no Brasil foi impulsionada pela geração de postos de trabalhos atrelados ao setor de serviços, com baixa remuneração, informou pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). As vagas de baixo salário representam 95% dos postos de trabalho gerados na década de 2000. E a estimativa é de que nas próximas décadas esse modelo, baseado nos serviços, se mantenha.
Por isso, para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, é necessário que os próximos governos mantenham políticas voltadas à valorização do salário mínimo. O que garantiu que houvesse melhora do nível de desigualdade foi uma combinação de políticas públicas com o tipo de ocupação que foi gerada, e essas ocupações estão fortemente atreladas ao valor do salário mínimo.
"Se o salário mínimo não tiver uma trajetória forte de crescimento, nós poderemos ter geração de postos de trabalhos com renda muito baixa. Com isso, não teremos a capacidade de reduzir ainda mais a desigualdade, que ainda é muito grande no Brasil, e ao mesmo tempo não teremos capacidade de reduzir a pobreza, algo que ainda é muito necessário", afirmou.
O estudo realizado pelo Ipea baseia-se em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram criados 1,9 milhão de postos de trabalho com remuneração de até 1,5 salário mínimo. Já nas ocupações com três salários mínimos ou mais, houve perda de quase 400 mil vagas anuais.
Pochmann acredita já haver sinais crescentes de escassez de mão de obra qualificada pelo país, embora ainda não se trate de um problema nacional, mas pontual, que pode vir a ser pior caso o Brasil não tenha condições de tomar medidas para a qualificação dos seus trabalhadores.
Essas mudanças são reflexo de uma transformação na estrutura produtiva do país, que na década de 1960 tinha uma participação maior do agronegócio, sendo substituído nas décadas seguintes pela indústria, e agora quem mais cresce são os serviços.
Esse setor passou de uma participação de 50,7% no Produto Interno Bruto (PIB) em 1980 para 66,2% em 2008. A estimativa do Ipea é de que essa participação deva alcançar 80,9% em 2036.
Segundo o presidente do Ipea, é possível compreender por que houve redução da desigualdade da renda com a redução dos postos de maior renda e aumento dos postos de menor renda. "Estamos tendo estrutura de remuneração ao redor do salário de base, não somos economia que está gerando altos salários", acredita.
"Num país onde o setor tradicional não cresce, o setor de serviço que mais cresce está condicionado a pessoas, onde a renda é muito baixa. Num país onde a indústria cresce, é possível fazer serviços vinculados à produção, e nesse caso a renda consegue ser maior", adicionou. Fonte: Valor Econômico
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