Nesta segunda-feira, 28 de janeiro, representantes das centrais sindicais reunidos em São Paulo definiram a realização da Campanha pela Redução da Jornada de Trabalho, que será lançada em 11 de fevereiro. O ato de lançamento acontece às 10h, na Praça Ramos de Azevedo, centro de São Paulo.
A decisão foi um desdobramento de uma primeira reunião entre as centrais realizada no dia 21 de janeiro, na sede nacional da CUT, em São Paulo, na qual foram definidas as diretrizes de luta da Campanha Nacional Unificada pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salário e da Reforma Tributária socialmente justa. Estiveram presentes na reunião representantes da CUT, CTB, CGTB, UGT, Força Sindical e NCST.
A Campanha Nacional Unificada pela Redução da Jornada de Trabalho propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários e benefícios. De acordo com um estudo realizado pelo Dieese, isso geraria, numa primeira etapa, mais de 2,2 milhões de empregos.
Farmacêuticos na luta pelas 30 horas
"A unificação das centrais em torno da luta pela redução da jornada de trabalho deve estimular o aprofundamento do debate em torno da situação do trabalho no Brasil e, certamente, contribuirá para a luta dos trabalhadores da área da Saúde, particularmente dos farmacêuticos, pela redução da jornada para 30 horas semanais", avalia a farmacêutica Gilda Almeida, diretora da Fenafar e da executiva nacional da CTB.
Abaixo-assinado pela redução
As centrais sindicais decidiram recolher assinaturas para um abaixo-assinado em favor da redução da jornada. Serão montados postos de coleta de assinaturas em diversos sindicatos e locais públicos por todo Brasil. O abaixo-assinado, após reunir milhões de assinaturas, será entregue ao Congresso Nacional.
Para Artur Henrique, presidente da CUT, "há um grande simbolismo nesta campanha unificada, na qual deveremos colher mais de um milhão de assinaturas. Faremos grandes atos de rua a partir do dia 11 de fevereiro, que é a data da reabertura do Congresso Nacional, ampliando pressão nesta importante luta", declarou, ressaltando que os lucros obtidos por alguns setores econômicos em 2007 possibilitam essa redução sem ônus para as empresas.
As centrais sindicais estão convocando suas bases para participar do ato de lançamento da campanha, que acontecerá dia 11 de fevereiro, e conclamam as entidades sindicais a se empenharem na coleta de assinaturas.
Para o presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Wagner Gomes, essa batalha é justa. "Em primeiro lugar, um menor número de horas trabalhadas significa melhor distribuição da riqueza produzida. É a idéia de menos horas de trabalho, mais gente trabalhando e obtendo renda - melhorando, assim, o acesso ao consumo. E, em segundo lugar, porque essa é uma forma de não ficarmos de fora dos benefícios proporcionados pelo crescimento da economia", diz ele.
Papel do trabalho na economia
A experiência histórica indica que o aumento do valor ou a valorização da força de trabalho decorrente da redução da jornada a médio prazo é mais do que compensada pelo aumento da produtividade social do trabalho. "Trabalhando menos, o trabalhador torna-se mais produtivo e há outras vantagens sociais relevantes, uma vez que diminuem os problemas de saúde e acidentes do trabalho, além do tempo livre poder servir para a elevação do nível de educação e da qualificação profissional", explica Wagner Gomes.
O presidente da CTB ressalta que salta aos olhos a necessidade de mudar o modelo econômico e a mudança começa pela adoção de uma nova filosofia em relação à classe trabalhadora, na qual a valorização do trabalho, e em particular a redução da jornada de trabalho, devem ser encaradas não como obstáculo mas como fonte de crescimento econômico e alicerce de um projeto nacional soberano. "O papel do trabalho na economia brasileira tem sido desempenhado de modo satisfatório. Temos, portanto, motivos de sobra para reivindicarmos mais direitos, lutar contra a precarização do trabalho e exigir a redução da jornada de trabalho sem a redução dos salários", finaliza Wagner Gomes.