por Renata Mielli, de Guarulhos
O Conselho de Representantes da Federação Nacional dos Farmacêuticos debateu nesta sexta-feira, 05 de dezembro, na cidade de Guarulhos, a crise econômica mundial e seus impactos no Brasil.
Para subsidiar a discussão sobre a crise e trazer dados econômicos e sociais das consequências da avalanche que atingiu a economia dos Estados Unidos e se espalhou rapidamente por todo o mundo, a Fenafar convidou o jornalista Umberto Martins, editorialista da revista Debate Sindical. (Na foto ao lado da presidente da Fenafar, Célia Chaves)
Umberto fez uma exposição abrangente, abordando os fundamentos econômicos do sistema capitalista, que vive ciclos de expansão alternados com ciclos de crise. "A crise atual foi gestada nos Estados Unidos e pode-se dizer que teve origem numa bolha imobiliária. Em 2006, 8 milhões de novas residências foram construídas nos EUA. Isso foi permitido pela redução da taxa de juros, que ampliou o crédito e que foi concentrado na construção civil". Humberto explicou que para conceder o crédito ao consumidor, foi criada uma nova opção de financiamento, que previa a possibilidade da venda do imóvel para saudar as dívidas. Esse refinanciamento gerou um bolha. "Esse ciclo de expansão chegou ao fim no ano passado", quando um banco de crédito quebrou, gerando um efeito cascata e a crise que estamos vivendo hoje.
Com a globalização do sistema financeiro e a ampliação da interdependência das economias das diversas nações, a crise atingiu muitos países. Para sobreviver, os bancos e as empresas privadas recorreram ao dinheiro público para evitar quebras e falências. Esse socorro colocou o pensamento dominante que até o momento ditava as regras econômicas - o neoliberalismo - em xeque. A base dessa doutrina neoliberal era que o Estado deveria ser mínimo. "O que os capitalistas até pouco pregavam era que o Estado não devia intervir na economia. Com a crise veio abaixo essa crença, porque os banqueiros e grandes empresários passaram a recorrer ao estado para salvar o sistema capitalista"
Como reagir a uma crise econômica?
Para Umberto, "esse é um tema vasto e que impacta profundamente na vida dos trabalhadores. No Brasil, apesar de haver uma situação econômica mais favorável para enfrentar os problemas, os sinais da crise já chegaram. Já estão ocorrendo demissões, férias coletivas, redução do crédito". O governo federal tem procurado agir para manter os níveis de investimento e garantir a disponibilidade de crédito, mas, para Umberto, "os grandes capitalistas vão tentar a todo custo retirar as conquistas que os trabalhadores tiveram no último ano para não perderem seus lucros. Por isso, os movimentos dos trabalhadores têm que fazer mobilizações e estarem unidos para resistir à crise".
Entre as bandeiras de luta que precisam ser priorizadas estão a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, medidas para evitar o desemprego, aprovação das Convenções 158 e 151 da Organização Internacional do Trabalho e criar um amplo movimento para mudar a política macroeconômica do governo, criando regras para impedir a fuga de capitais, principalmente os de curto prazo, acabar com a política de câmbio flutuante, restringir a remessa de lucros das empresas para o exterior.
Durante o debate, conselheiros complementaram a discussão, ressaltando que o Brasil tem que manter a taxa de investimento, principalmente nas áreas estratégicas - para evitar o desemprego. Nesse sentido, a plataforma que as centrais sindicais levaram para o governo precisa ser apropriada por todas as entidades para pressionar que os itens listados lá sejam acatados pelo governo. Leia a íntegra da carta que as centrais entregaram ao presidente Lula.
"Nós não fizemos essa crise, quem tem que pagar por ela são os ricos, não os trabalhadores!", alerta a diretoria da Federação, Gilda Almeida, que também é da direção da Central dos Trabalhadores do Brasil - CTB.