
A reunião do Conselho de Representantes da Fenafar debateu na tarde desta sábado (19) o cenário político nacional e internacional, fortemente marcado pela crise econômica que atinge, principalmente, os países europeus e os Estados Unidos e seus impactos mundo. Também apontou a importância de haver unidade do movimento sindical para lutar pelos direitos dos trabalhadores.
por Renata Mielli, de São PauloO Conselho de Representantes da Fenafar reuniu farmacêuticos de 14 estados mais o Distrito Federal para debater a situação política nacional e internacional, aprovar as questões relativas à convocação do próximo congresso da entidade e debater outros temas, como a questão da política nacional de descarte de medicamentos.
Para introduzir o tema de conjuntura, foi convidado o vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, Nivaldo Santana, que alertou para o fato de que a crise atual não é uma nova crise, mas é uma recaída da crise mundial de 2007 e 2008. Ele chamou a atenção para a característica principal da crise naquele momento “foi uma crise dos grupos privados. Para o sistema não desmoronar, os estados intervieram na economia, injetando bilhões de dólares para salvar os conglomerados econômicos. Agora, a crise está sendo chamada de crise da dívida soberana – dos Estados e dos Países. Houve uma estatização da crise”.
Nivaldo falou da queda de vários governantes europeus, da crise do euro e da escalada conservadora e reacionária que atinge esses países. “Os banqueiros decidiram acabar com a terceirização, eles resolveram eles próprios tomarem conta desses países. A contrapartida que estão apresentando é a demissão, a privatização, o arrocho salarial, a retida de direitos com o desmoronamento do estado de bem estar social”, e ressaltou: “ao fim e ao cabo quem paga a conta dessa crise são os trabalhadores”.
Enquanto as “velhas economias capitalistas” estão mergulhadas numa crise profunda, outros pólos econômicos surgem com força no mundo. Segundo Nivaldo, “o centro de gravidade da economia mundial depois de décadas está se deslocando para a Ásia, principalmente para os dois gigantes – China e Índia. Estes dois países que somam 2 bilhões e meio de habitantes, é que estão na dianteira do crescimento econômica. Enquanto outros países afundam, a China mantém um PIB em torno de 10% ao ano. Já é a segunda potencia economica e a primeira potência industrial. Enquanto os EUA são os maiores devedores do mundo, a China é a maior credora do mundo”.
O impacto da crise na AL e no Brasil
As consequências dessa crise sobre as economias em desenvolvimento ainda não estão totalmente conhecidas. Mas, uma das apostas possíveis é a de que a crise pode abrir oportunidades para o desenvolvimento destas nações.
“Antes dizia-se que se os EUA pegassem uma gripe, nós aqui pegávamos uma pneumonia. Mas essa realidade está se alterando”, disse Nivaldo sobre os impactos da crise no Brasil. “O Brasil pode se tornar a 5ª economia mundial diante desse cenário internacional. Mas ainda temos muitos desafios internos para serem superados”, lembrou.
Fortalecer a produção
O vice-presidente da CTB registrou que é preciso “romper com um acordo tácito que coloca o setor financeiro como o centro da economia, para privilegiar as forças do trabalho e produtivas”. De acordo com ele, o governo da presidente Dilma Rousseff tem feito sinalizações neste sentido e, citou, a decisão do Copom em reduzir a taxa básica de juros da economia, criando medidas de blindagem do país para ter um crescimento econômico.
Nivaldo Santana também se referiu a outro pólo de poder político no país que é exercido pela mídia hegemônica, que tem usado seus veículos de comunicação para desgastar o governo e impor uma agenda política negativa para o país.
A agenda do desenvolvimento
“O desenvolvimento é uma condição necessária para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e da sociedade. O movimento sindical precisa lutar pelo desenvolvimento. Essa luta pressupõe uma articulação de forças políticas e sociais mais amplas que inclui o setor produtivo industrial e é uma agenda fundamental para enfrentar a crise e permitir o crescimento do país”.
O vice-presidente da CTB reafirmou, também, a importância da agenda específica dos trabalhadores e do movimento sindical na luta por melhores condições de trabalho, pelo fim do fator previdenciário, pela redução da jornada, que exigem uma unidade maior dos trabalhadores. “O Brasil tem 6 centrais sindicais legalizadas, mais 2 ou 3 que não são legalizadas. Para construir caminhos unitários não é simples, mas para que os trabalhadores tenham maior protagonismo na luta política do país, essa unidade programática deve ser buscada. A 1ª Conclat conseguiu construir essa agenda unitária que oferece uma base para a ação unitária que precisa ser perseguida”.
O debate que se seguiu à apresentação de Nivaldo focou principalmente a questão da luta pela democracia, pelo direito dos trabalhadores e fortalecimento do movimento social. Muitos também ressaltaram a necessidade dos farmacêuticos participarem de forma mais ativa da luta pela democratização da comunicação.
A presidente da Fenafar, Célia Chaves, chamou a atenção dessa pauta “o que me assusta é como a mídia tem conseguido impor sua opinião como sendo a opinião pública. E o pior é que acabamos reproduzindo o que a mídia tenta colocar na cabeça das pessoas. O nosso papel é importante de entender tudo isso e ter a capacidade de fazer a crítica e desmistificar o que a mídia tenta impor”, alertou.
O vice-presidente da Fenafar, Rilke Novato, lembrou que o setor conservador internacional está “culpando o estado de bem estar social pela crise e está nos levando a crer que perdas sociais seriam uma questão de tempo”, essa tentativa, segundo Rilke, tem o propósito de tirar o foco dos principais responsáveis pela crise, que é o sistema financeiro.