
A necessidade de se estabelecer o correto descarte de medicamentos foi o tema colocado em pauta pela Fenafar (Federação Nacional dos Farmacêuticos) durante o Fórum Social Temático realizado em Porto Alegre. A discussão aconteceu no dia 26 de janeiro, na Faculdade de Farmácia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
por Rita Casaro, de Porto Alegre
Carente de regras que protejam o meio ambiente e a saúde pública, o Brasil atualmente trabalha na implantação de um acordo setorial que, no âmbito da Política Nacional de Resíduos Sólidos, propicie o fim correto a esses produtos por meio da logística reversa. Ou seja, a exemplo do ocorre com materiais como lâmpadas e baterias, criar uma cadeia de descarte que leve os medicamento vencidos ou inutilizados por qualquer motivo de volta à indústria farmacêutica que dará o destino final adequado a eles.
Participaram da discussão o diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Jaime Oliveira, a gerente de Resíduos Perigosos do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, a representante da Secretaria de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, Amanda Vieira, da Interfarma, Vera Valente e o Sr. Juan Mampaso, diretor geral do SIGRE.
Entre as questões fundamentais para que haja avanços na instituição de uma política eficaz para o setor, está o uso consciente de medicamentos, evitando a compra indevida ou excessiva do produto, e ainda a possibilidade de fracionamento para que o consumidor possa adquirir a exata dose que utilizará, evitando as sobras. Além disso, ainda é tarefa a ser cumprida o levantamento dos números relativos a esses resíduos, hoje desconhecidos.
Modelo de sucesso
Ficou por conta do espanhol Juan Carlos Mampaso, diretor geral da Sigre Medicamento e Meio Ambiente, a demonstração de que é possível ter sucesso num plano como esse. Criada pelos laboratórios da Espanha em 2001, a entidade é responsável por garantir a correta gestão das sobras de medicamentos, num processo que conta com a participação ativa das drogarias e empresas de distribuição de medicamentos e também do consumidor, já habituado a levar os fármacos sem uso que tem em casa aos “pontos Sigre”.
Segundo Mampaso, que considerou a iniciativa da Fenafar extremamente importante, o Brasil embora tenha um longo caminho a percorrer, inicia o processo corretamente. “O caminho do acordo setorial é básico e fundamental porque devem colaborar os três agentes do setor: a indústria, os distribuidores e as farmácias”, afirmou. Conforme ele, é fundamental que esses estejam devidamente conscientizados e sensibilizados.
Além das suas dimensões maiores e a existência de um grande número de representantes de cada elo dessa cadeia, pode representar uma dificuldade maior ao Brasil o fato de haver inúmeras drogarias não pertencentes a farmacêuticos, o que não ocorre no país ibérico. Por outro lado, salientou Mampaso, a iniciativa nacional conta com a experiência da logística reversa em outros setores para se espelhar.
Para que o esforço seja bem-sucedido, será ainda importante o convencimento do cidadão, cuja adesão ao programa é indispensável. “Nesse sentido, o medicamento tem a vantagem da relação direta com a saúde da pessoa. Funcionou na Espanha o binômio meio ambiente e saúde. Quem leva seus medicamentos para o descarte correto está contribuindo para o ambiente porque evitará a contaminação das águas etc, mas também para seu próprio bem-estar porque isso vai implicar um uso mais responsável e o fim da automedicação”, avaliou. Saiba mais: www.sigres.es