Homens e mulheres se reuniram na assembléia legislativa de Porto Alegre na quinta-feira (19) para um frutífero debate que trouxe à tona temas fundamentais às mulheres: seus direitos. Direito ao trabalho, ao lazer, a salários iguais aos dos homens na mesma atividade, a ocupar mais espaços, a uma vida digna e sem violência.
“É apenas o início. Temos muito trabalho pela frente, para conscientizar todas as mulheres e fazer com que se dêem conta de seus direitos, que precisam ser exigidos”, declarou a presidente da Fenafar, Célia Chaves, ao apresentar a campanha e a cartilha (baixe aqui).

“Hoje somos 8% do parlamento”, lembrou a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), uma das convidadas da cerimônia. Ela enumerou os problemas enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho, falou sobre a importância do empoderamento feminino e afirmou: “as farmacêuticas ocupam seu espaço por mérito. E quando têm espaço”.
Representando o governador gaúcho, Tarso Genro, a secretária de meio-ambienteF Jussara Cony, que é farmacêutica, prestigiou o lançamento. Falou com emoção da fundação e participação nos comitês femininos para a anistia e da militância na categoria. “Como mulher e farmacêutica me emociono hoje”, afirmou, lembrando que os farmacêuticos tem histórico participativo e sempre esteve à frente de muitas profissões no resgate da soberania do país.
A CTB-RS marcou presença e se ofereceu a contribuir com a campanha por todo o Brasil. “Sabemos dos desafios que enfrentam, por fazerem parte de uma categoria diferenciada”, afirmou a diretora Eremi Melo, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - RS.

Violência e direitos em debate
Uma mesa de debate fechou o lançamento e despertou a consciência dos presentes.
A doutora Elisa Torelly, assessora jurídica do Sindicato dos Farmacêuticos do RS, abriu a discussão dando o panorama da inserção da mulher no mercado de trabalho e seu crescimento. Baseada em estudos e pesquisas, revelou: as mulheres trabalham (em média) cinco horas semanais a mais que os homens, somando-se as atividades domésticas, sendo que elas são mais escolarizadas também. Deu dados de emprego, renda e família. Falou sobre a licença maternidade focando duas questões: a ampliação para 180 dias e os direitos das mães adotantes. “Tais conquistas são frutos de lutas libertárias, mas só avançam com a mobilização dos movimentos sociais”defendeu Elisa.
A mobilização da sociedade também faz diferença quando falamos da violência. “Uma mulher é espancada a cada 15 segundos no país”, apontou o juiz de direito Roberto Lorea em sua palestra, que tratou especialmente da violência contra a mulher, suas implicações, reflexos e conseqüências. Como juiz da Vara da Violência Doméstica de Porto Alegre, trouxe as experiências locais e deu uma série de alertas. “Em briga de marido e mulher deve-se sim meter a colher”, afirmou, ao mencionar a importância da denuncia dos atos de violência. Falou da Lei Maria da Penha – cuja personagem é uma farmacêutica -, considerando-a uma legislação avançada, que “pegou” e caiu no imaginário popular, mas precisa ser divulgada na totalidade. Lorea destacou também o papel das varas judiciais, que precisam ser acionadas para cumprir seu papel. “O juiz precisa ser provocado. É necessário entrar com um pedido”, disse apelando para que as mulheres denunciem ao seu sindicato e federação, e busquem orientação.
Sandra Cruz, de Porto Alegre