Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos mostra que houve crescimento do uso dos genéricos no País.
"De acordo com estudo realizado pelo IMS Health, instituto que audita o setor de medicamentos no Brasil, divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos – Pró Genéricos houve um aumento na comercialização de genéricos do País. No primeiro trimestre deste ano, foram comercializadas 51,4 milhões de unidades (caixas) de remédios genéricos, uma alta de 23,4% com relação a mesma fase de 2006, que registrou uma comercialização de 41,7 milhões de unidades. Em valores, os genéricos movimentaram US$ 301,3 milhões, aumento de 40,9% na comparação dos mesmos períodos. As vendas totais subiram 15,2%, alcançando US$ 2,57 bilhões.
Entre os fatores que explicam esse crescimento destacam-se o maior conhecimento da população sobre os medicamentos genéricos, maior prescrição e o fato de que atualmente já há genéricos aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que cobrem cerca de 90% das doenças existentes. Outro fator determinante para o aumento da procura por genéricos é preço mais baixo, que pode representar uma economia entre 35% e 70% no gasto com o remédio.
Uma iniciativa importante para ampliar o acesso aos medicamentos, a criação da Lei dos Genéricos não pode ser elemento para incentivar o uso indiscriminado de medicamentos. É o que alerta o vice-presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, Rilke Novato Púbio. “Para a correta orientação da população sobre o uso adequado dos medicamentos genéricos é fundamental a presença do farmacêutico, que é o profissional autorizado, por lei, para proceder a substituição do medicamento de marca pelo genérico, o que também deve ser feito com a concordância do paciente/cliente”.
Rilke salienta, ainda, a importância do crescimento deste mercado para garantir o acesso dos mais carentes aos medicamentos. “É fundamental que ele se expanda mais ainda para que a classe de menor poder aquisitivo possa ter acesso aos medicamentos. Mas é preciso persistir em campanhas de esclarecimento sobre o que é o genérico, já que são as classes média e alta as mais informada sobre o assunto”.
Participação dos genéricos no mercado
Quanto a participação no mercado de genéricos, o estudo mostra que a região Sudeste é a líder, respondendo por 18,6% nos seis primeiros meses do ano, seguida do Sul, com 15,4%. Por Estados, os mais importantes são Minas Gerais, com uma participação de 19,03%, seguido de São Paulo, 18,8% e Rio de Janeiro com 18,7%. No Brasil a participação média fica em torno de 16,3%.
O vice-presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos lembra que, em pesquisa feita em Belo Horizonte no início do ano, foi constatada a participação de 24% dos genéricos no total dos medicamentos vendidos na cidade. Mas, sobre os preços praticados, Rilke chama a atenção para a enorme discrepância dos valores entre as marcas disponíveis de genéricos, que pode chegar a 96%, segundo levantamento publicado pelo Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais. “Não basta pedir apenas o genérico. Tem de pedir também o mais barato”, afirma.
O vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), Odnir Finotti lembra que há no país cerca de 1,6 mil produtos genéricos. Em 2004, eles eram apenas 800. E a expectativa é de que a evolução da oferta de genéricos continue, inclusive porque nos próximos três anos devem expirar patentes de aproximadamente 30 medicamentos, o que vai permitir sua fabricação também pela indústria de genéricos e, em conseqüência, garantir a redução dos preços finais, para os consumidores.
Rilke destaca, no entanto, que é necessário haver políticas públicas para incentivar o aumento da produção de genéricos com redução de impostos (IPI, ICMS).
Com informações de Agências