Pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais revela que apesar de mais vantajosos em custo com os mesmos benefícios, os genéricos ainda perdem espaço para os medicamentos de marca.
No dia 10 de fevereiro, comemora-se os 10 anos da Lei de Medicamentos Genéricos no Brasil, uma conquista importante para a saúde da população, garantindo medicamentos de qualidade a baixo custo.
Mas após todo esse tempo, a população ainda tem dúvidas sobre a medicação e sua qualidade, especialmente sobre o que consiste efetivamente um medicamento genérico e sua legislação, preterindo o genérico por falta de indicação ou conhecimento.
Estes dados foram levantados na pesquisa de opinião pública realizada com consumidores, farmácias e médicos de Belo Horizonte. O estudo, encomendado pelo SINFARMIG e realizado pelo Instituto de Pesquisa 360 Inteligência, ouviu 1217 pessoas entre os dias 23 e 30 de janeiro de 2009, com objetivo de diagnosticar o mercado de genéricos, observar seus pontos positivos e negativos e descobrir se existe e qual o maior entrave para que estes medicamentos sejam efetivamente oferecidos à população.
Surpreendentemente, não houve o crescimento esperado do mercado em Belo Horizonte após estes 10 anos. Apesar dos genéricos terem a mesma qualidade e serem vendidos por preços mais baixos, os medicamentos de marca são os preferidos para 58,7% dos entrevistados. Apenas 20,4% preferem os genéricos.
Os resultados mostram ainda que a maioria da população já ouviu falar dos genéricos, porém poucos entrevistados souberam responder do que se trata. Um fator positivo são as informações na embalagem do produto que facilitam a identificação, como é o caso da tarja amarela, a letra G em caixa alta e o nome dos princípios ativos.
Também foram ouvidos farmacêuticos, atendentes de farmácia e médicos. 95,4% dos balconistas ouvidos confiam na medicação genérica, mas somente 48,9% têm o hábito de oferecer este medicamento com frequencia ao consumidor. Segundo os entrevistados, o próprio consumidor não tem o hábito de pedir pelos genéricos (apenas 37,2% solicitam).
Um fator significativo que contribui para essa situação, também constatado nesta pesquisa são os receituários médicos, nos quais a grande maioria consta o nome do medicamento de marca e não do princípio ativo, que daria ao consumidor a opção do genérico. Entre os profissionais médicos entrevistados, apenas uma pequena parcela afirma receitar esta opção com frequência.
O resultado oficial da pesquisa contendo estas e outras informações e todos os dados, importantes especialmente ao consumidor serão divulgados em Coletiva, que será realizada na próxima segunda-feira, dia 09 de fevereiro às 15 horas na sede do Sinfarmig – Rua Gaujajaras 178 sala 178 – Centro.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE
Recentemente foi divulgado na grande mídia nacional um dado equivocado, afirmando que o medicamento genérico, em inúmeros casos, encontra-se mais caro nas prateleiras das farmácias. Podemos afirmar que este dado é incorreto, pois o genérico tem, por Lei, preço mais baixo em relação ao medicamento de marca referência, lembrando o medicamento de referência consiste em apenas um único medicamento, originalmente o primeiro a ser fabricado e registrado no Ministério da Saúde com determinado Princípio Ativo. Houve grande confusão entre preços de medicamentos genéricos de referência e similares.
Exemplificando: O medicamento de marca AMOXIL, com princípio ativo amoxilina, é o medicamento referência, portanto o genérico AMOXILINA, identificado com a tarja amarela e a letra ‘G’, tem obrigação por Lei de ter o preço mais baixo que o AMOXIL. O que temos observado constantemente é a comparação do genérico com medicamentos chamados SIMILARES, que também contém o mesmo princípio ativo e é vendido com nome comercial (MARCA) e não pelo princípio ativo, mas não se enquadram da legislação do medicamento genérico. Estes sim são geralmente mais baratos em relação ao genérico.
Comparação de preços de medicamentos genéricos e de referência (Marca) realizada em farmácias de Belo Horizonte:
Princípio Ativo: Fluconazol (Fungicida) - Diferença de 50,9%
Medicamento referência (MARCA): Zoltec (dose única) R$40,27
Medicamento Genérico: R$ 14,77
Princípio Ativo: Sinvastatina (Baixar colesterol) – Diferença de 48,95%
Medicamento referência (Marca): Zocor 20mg c/ 30 comprimidos - R$116,44
Medicamento genérico: R$59,44
Princípio Ativo: Captopril (anti-hipertensivo) – Diferença de 61%
Medicamento referência (Marca): Capoten c/28 comprimidos – R$78,48
Medicamento genérico: R$30,60
Princípio Ativo: Amoxilina (antibiótico) – Diferença de 65,56%
Medicamento referência (Marca): Amoxil 500mg c/ 30 comprimidos – R$57,98
Medicamento genérico: R$19,97
Princípio Ativo: Azitromicina (antibiótico) – Diferença de 67,37%
Medicamento referência (Marca): Zitromax 500mg c/ 3 comprimidos – R$58,13
Medicamento genérico: R$18,97