Diante do alerta internacional para que os órgãos de saúde tivessem agilidade em adotar medidas para prevenir o surgimento de novos focos de manifestação da gripe suína e controlar os identificados, a Federação Nacional dos Farmacêuticos e a Associação Brasileira de Farmacêuticos - ABF encaminharam ofício à Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, colocando-se à disposição de integrar o time das organizações que estão na linha de frente de combate à doença.
Na carta endereçada ao presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, as entidades assinalam que "o farmacêutico como profissional de saúde poderá desempenhar um papel fundamental neste processo", uma vez que a população brasileira "tem o hábito de, ao surgimento de uma gripe ao mesmo resfriado, procurar o atendimento primeiramente nas farmácias, o que leva à automedicação e retardo no tratamento de possíveis moléstias mais graves". Cientes disso, concluem que, diante desta situação "o atendimento nas farmácias e drogarias deve receber atenção farmacêutica redobrada".
Informações sobre a gripe suína
A Influenza suína é uma doença respiratória causada pelo vírus tipo A que normalmente causa surtos de gripe entre os suínos. Em geral este vírus não infecta o homem, no entanto, existem registros de transmissão pontual do vírus para os seres humanos.
Em 24 de abril, a partir das análises das amostras colhidas de casos de síndrome gripal notificados pelos Governos do México e dos Estados Unidos da América foi identificado um novo subtipo do vírus de influenza suína A(H1N1), classificada como (A/CALIFORNIA/04/2009), que não havia sido detectado previamente em humanos ou suínos. Este novo subtipo do vírus da influenza suína A(H1N1) é transmitido de pessoa a pessoa, principalmente por meio da tosse ou espirro e secreções respiratórias de pessoas infectadas. Segundo dados do site do Governo do México, os sintomas podem iniciar no período de 3 a 7 dias e a transmissão ocorre principalmente em locais fechados. Segundo a OMS, não há registro de transmissão deste novo subtipo da influenza suína para pessoas por meio da ingestão de carne de porco e produtos derivados.
Para monitorar a evolução da doença, em 25 de abril, seguindo o Regulamento Sanitário Internacional, a OMS declarou este evento como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. No mesmo dia, foi instituído no Brasil o Gabinete Permanente de Emergência em Saúde Pública, no Ministério da Saúde, para monitorar a situação e indicar as medidas adequadas ao país. O gabinete, que realiza reuniões diárias, é constituído por representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR).
Na página do Ministério da Saúde na internet foi criado um ambiente exclusivo para informar sociedade e os profissionais de saúde sobre a evolução da doença e tirar dúvidas a respeito de suas manifestações e orientações para tratamento.
Os casos notificados
Até quinta-feira, 30/04, a Organização Mundial da Saúde contabilizava 257 casos confirmados oficialmente de gripe suína em nove países diferentes: até o momento são 109 casos nos EUA; 97 no México; 19 no Canadá; 8 no Reino Unido; 13 na Espanha; 3 na Alemanha; 3 na Nova Zelândia; 2 em Israel, 1 no Peru, 1 na Áustria, 1 na Suíça e 1 na Holanda. Já são 176 mortes no México (oito confirmadas e 160 suspeitas) e uma nos Estados Unidos.
No Brasil, o Ministério da Saúde estava monitorando o estado de saúde de 38 pessoas até a quinta-feira. Destes, duas suspeitas mais graves, uma em Minas Gerais e a outra em São Paulo. Os outros casos de monitoramente são de pessoas que chegaram de países onde a doença foi registrada e apresentaram algum dos sintomas. Há pacientes sendo monitorados no Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Três casos inicialmente acompanhados em Minas Gerais já foram descartados.