
O Conselho de Representantes da Federação Nacional dos Farmacêuticos discutiu neste sábado, 05 de dezembro, a situação do país e os desafios para o próximo período. Para falar sobre o tema, a Fenafar convidou o vice-presidente da CTB – Central dos Trabalhadores do Brasil – , Nivaldo Santana, que fez uma análise dos efeitos da crise econômica internacional no país e os desafios para avançar no rumo do desenvolvimento.
Para Santana, o ano de 2009 foi polarizado pelo debate da crise do capitalismo que surgiu nos estados unidos e seus impactos sobre os outros países do mundo. Nivaldo salientou que cada país viveu a crise de forma diferente. “No Brasil, num primeiro momento houve queda do PIB, uma onda de desemprego e muitos especularam sobre a dimensão da crise no país. Alguns diziam que ela seria um Tsunami. Já, o presidente Lula, dizia que ela poderia ser um Tsunami em outros países, mas que no Brasil seria uma marolinha”, lembrou.
O sindicalista avalia que “o mundo está vivendo um período de reordenamento, uma nova ordem mundial está surgindo. Os Estados Unidos está perdendo força, mas ainda é um pólo imperialista importante. Contudo, surgem outras potências como a China. O próprio G8 já não dá conta dos impasses políticos e econômicos do mundo. A criação do G20 pelo Brasil é uma iniciativa importante na tentativa de criar outros instrumentos institucionais de debate internacional visando esta nova conformação mundial”.
Ações contra a crise
Na sua apresentação, Nivaldo Santana salientou as iniciativas que o governo brasileiro tomou para conter os impactos da crise. “O Brasil foi um dos últimos países em que a crise se instalou e um dos primeiros em que ela acabou. Isso não foi mero acaso, mas fruto de medidas políticas e econômicas concretas. Por exemplo, termos disponíveis uma reserva cambial de 220 bilhões de dólares funcionou como uma espécie de colchão protetor para minimizar os efeitos da crise. Também teve impacto a política de diversificação das relações comerciais do Brasil, que ampliou relações na América Latina e com os países do eixo Sul, África e países da Ásia. O México, por exemplo, que tem 90% de sua economia vinculada aos Estados Unidos em razão do Nafta, está vivendo um grande colapso. O governo não ficou de braços cruzados, reduziu impostos na área automobilística, na linha branca de eletrodomésticos; ampliou a oferta de crédito em instituições financeiras públicas, manteve investimentos públicos em programas de moradia, infraestrutura etc; fatores que mantiveram a economia interna em movimento”.
Destacou, ainda, que a luta dos trabalhadores contra as demissões imotivadas, e pela manutenção dos salários também contribuiu muito para amenizar a crise. Para ele, ter uma política distributiva, de geração de emprego e renda, de dinamização da economia tem que ser o eixo principal de luta da sociedade e, que para ter conquistas, o movimento sindical precisa estar unido em torno de suas bandeiras e reivindicações.
“Por isso, o desfecho da disputa presidencial de 2010 será decisivo. O movimento sindical tem que ser independente do governo, tem que ser protagonista das lutas políticas, mas não pode assistir de braços cruzados a polarização política que o Brasil vai enfrentar nessa disputa de projetos e rumos. Porque o desafio é aprofundar o rumo progressista e de avanços que o país tem vivido nos últimos anos”, alertou.
Protagonismo internacional
O vice-presidente da Fenafar, Rilke Novato, falou que o protagonismo internacional exercido pelo Brasil no último período é “reflexo da pujança econômica, política e social que o país está vivendo”.
Daí a importância dos debates realizados pela Fenafar que avaliam as questões envolvendo o cenário internacional da produção de medicamentos. “A profissão farmacêutica é uma das mais afetadas pelo contexto econômico e social do mundo, por isso é tão importante debatermos estes aspectos internacionais”, apontou.
Ele destacou o papel do movimento sindical e em particular da categoria farmacêutica no enfrentamento destes temas. “A Fenafar está inserida nestes debates por exemplo participando da luta contra as patentes pipeline, na análise do mercado farmacêutico em particular da ação das multinacionais deste setor. Em 2008, por exemplo, o Brasil exportou medicamentos, nós tivemos plataformas de indústrias multinacionais aqui que começaram a exportar em razão do crescimento econômico brasileiro. Por isso, a necessidade de debatermos as questões relacionadas com as políticas de assistência farmacêutica.