Relatório sobre o uso de entorpecentes mostra que apreensão de cocaína cresceu em 2009, chegando a 21,5 toneladas
Relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes revela que houve um "aumento significativo" no volume de apreensões de cocaína no Brasil. Em 2008, foram confiscadas 19,7 toneladas da droga; em 2009, foram apreendidas 21,5 toneladas. Já a apreensão de maconha caiu, entre 2005 e 2010. Outra conclusão do documento é que os brasileiros diminuíram o uso de remédios para emagrecer, os anorexígenos com base em anfetaminas.
Esses medicamentos inibidores de apetite representam um grande problema para o país, que liderava seu consumo. São drogas lícitas vendidas com prescrição médica, cujas consequências podem ser graves, segundo alertou o órgão internacional. Em 2005, foram ingeridos no país 34.392 quilos das duas principais substâncias para emagrecer - a anfepramona e o femprotorex.
Em 2008, o consumo caiu para 11.132 quilos. O representante para o Brasil e o Cone Sul do escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (Unocd), Bo Mathiasen, disse que o abuso de drogas lícitas vem substituindo o das ilegais e supera, no mundo, o uso de heroína, cocaína e ecstasy somados. Nos EUA, 6,2 milhões de pessoas são dependentes de remédios com tarja preta.
As pessoas pensam que abuso de medicamentos é uso inadequado. Mas as consequências são letais. É muito perigoso - avisou.
Maconha: droga vem do Paraguai para o Brasil O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Dirceu Raposo, disse que o resultado da diminuição dos anorexígenos no Brasil é fruto de um sistema de controle rigoroso sobre os médicos, suas prescrições e sobre a venda dos produtos. O órgão vem monitorando mensalmente 40 mil das 70 mil farmácias do Brasil; 10 mil delas não vendem esses remédios e o restante repassa informações com menor frequência.
Com relação às apreensões de cocaína, a PF disse que vem intensificando as operações de interceptação de pequenas aeronaves que trazem a droga da Colômbia, Peru e Bolívia e pousam em áreas remotas do Brasil.
Essa é a principal forma de entrada de cocaína no país. Ano passado, a PF interceptou 20 aeronaves particulares, graças a uma cooperação do órgão com a Força Aérea Brasileira. No caso da maconha, a maior parte da droga consumida no país vem do Paraguai, onde no ano passado foram destruídos 400 hectares de plantações.
Fonte: O Globo