CADASTRE-SE
| Uso indevido de medicamento leva jovens mulheres ao vício |
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| 20/07/10 | |
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Universitárias são mais dependentes de comprimidos do que de drogas como ecstasy, cocaína e crack. Se para o sexo masculino na faixa dos 20 e 30 anos, cocaína, crack e anabolizantes são as drogas ilícitas mais utilizadas, entre as mulheres desta faixa etária as sensações entorpecentes são adquiridas com o abuso de medicamentos. A relação perigosa entre medicamentos e o universo feminino acaba de ser demonstrada em pesquisa feita pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) em parceria com a USP. Foram ouvidos 18 mil universitários, matriculados em instituições das 27 capitais brasileiras. O risco de dependência de tranquilizantes e ansiolíticos para as mulheres pesquisadas (9 mil no total) superou o índice encontrado para ecstasy, cocaína, solvente e crack. No público universitário feminino, 3,2% delas já são viciadas em calmantes e antidepressivos, terceira maior taxa de uso abusivo, atrás apenas da maconha (5%) e de um outro comprimido que também prende as mulheres, as anfetaminas (3,9%). Célia Chaves, presidente da Fenafar, afirmou que a pesquisa reforça outros levantamentos que apontam o quão nocivo pode ser o uso de medicamentos sem prescrição e acompanhamento profissional. “Uma das principais campanhas que a Fenafar desenvolve é pelo Uso Racional de Medicamentos. Esta campanha passa pela conscientização da população, pela garantia de que os medicamentos sob prescrição sejam vendidos somente mediante apresentação da receita, proibir a propaganda de medicamentos e criar políticas públicas que efetivamente transformem as farmácias em estabelecimentos de saúde”, alerta Célia. De cara limpa “Antes esse uso abusivo de medicamentos era mais comum em mulheres mais velhas, hoje temos garotas dependentes. Elas relatam que recorrem aos medicamentos para se acalmar”, explica. “Querem ficar mais tranquilas para ir ao primeiro encontro, para frequentar a balada, fazer provas, aguentar a pressão do dia-a-dia, o que, para elas, é difícil fazer de cara limpa", diz a especialista. Uma fisioterapeuta de São Paulo, de 33 anos, confirma mesmo que encontrou os ansiolíticos na época em que a rotina ficou tumultuada. Ela trabalhava em período integral e fazia faculdade à noite. “Para dar conta de tudo, precisei deles”, conta. Primeiro foram os remédios para dormir e “domar” a insônia. Depois passou a conciliar as pílulas para acordar, já que tinha dias em que “hibernava” por mais de 14 horas. O excesso de comprimidos a deixou “muito inchada”, acredita. E, apesar de ter 1,59 de altura e pouco mais de 51 kg, ela começou a tomar anfetaminas também para emagrecer. Apesar disso, a fisioterapeuta não se considera dependente e nunca procurou um médico. Nem para pegar as receitas dos tantos remédios que usa. A especialista Mônica Zilberman acrescenta um outro componente do uso abusivo de medicamentos pelas mulheres. Em geral, ele “flerta” com outras dependências, principalmente o uso de bebidas alcoólicas. “Existe também uma relação íntima com os quadros depressivos. Às vezes a garota está tão triste que quer tomar remédios para dormir e não acordar mais”, completa. Arthur Guerra, psiquiatra e autor do estudo com o público universitário, diz que o uso exagerado de substâncias psicoativas acontece mais aos finais de semana. "O fato de não ser todo dia dá a falsa sensação de controle. Mas é um erro perigoso não considerar que a usuária de sábado ou domingo pode ter problemas sérios", afirma. Overdose “A mulher é mais familiarizada com o comprimido, até porque vai mais ao médico. Por essas questões culturais abusa mais dos medicamentos”, explica a diretora do Sinitox, Rosany Bochner. “Outro fator que faz parte deste contexto é a circunstância do abuso. A maioria absoluta dos casos é de tentativas de suicídios. As mulheres têm acesso fácil aos medicamentos e usam para autoagressão”, completa. Fenômeno mundial O aumento foi divulgado mês passado no “Morbidity and Mortality Weekly Report”. A maioria das entradas na emergência foram reações a analgésicos opióides como oxicodona, hidrocodona e metadona. Os casos passaram de 144.600 em 2004 para 305.900 entradas em 2008. As drogas ansiolíticas corresponderam a 271.700 entradas na emergência em 2008, contra 143.500 em 2004 Vício de estrelas Com informações do Uol |
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| Última atualização ( 23/07/10 ) |
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