Farmacêuticos deixam de vender medicamentos porque não entendem a caligrafia dos médicos. Em São José dos Campos, uma paciente ficou sem o remédio porque ninguém entendeu o que estava escrito na receita. Até pode parecer uma coisa boba, mas os próprios farmacêuticos alertam: isso pode prejudicar quem necessita de um tratamento correto.
Farmacêuticos recomendam que médicos digitem e imprimam as receitas para os pacientes
Altina Pereira procurou um oftalmologista por causa de uma conjuntivite e saiu do consultório sem poder resolver o problema. Afinal, comprar a medicação que o profissional indicou não foi possível. “Fui em umas três farmácias e nada! Ninguém conseguiu entender”, relata a dona de casa.
A médica que deu a receita à dona de casa atende na Provisão, em São José dos Campos. Em nota, o hospital afirmou que esse foi um problema pontual e que a paciente deveria ter entrado em contato para esclarecer a dúvida. Essa é também a orientação do Conselho Regional de Medicina. O CRM, no entanto, lembra que o profissional que escrever uma receita de forma ilegível está desrespeitando o código de ética médica.
Essa prática não é apenas uma questão ética. O artigo terceiro da resolução 1685 do Conselho Federal de Medicina não deixa dúvida: em um atestado os dados devem ser claros. A farmacêutica Adriana Gomes explica que uma prescrição apresentada de maneira duvidosa pode causar danos à saúde do paciente. “Tem medicamentos com nomes muito parecidos, mas para usos totalmente diferentes. Se os médicos pudessem facilitar para nós e passar tudo digitado seria tudo mais fácil”, explica Adriana.
Para o médico Fábio Baptista, a maneira mais prática e segura de emitir receitas e atestados é usar os prontuários eletrônicos. “Nós temos que entender que o prontuário eletrônico é um instrumento para o médio, porque o auxilia muito no seu trabalho e ao mesmo tempo ajuda muito o paciente a compreender de maneira muito mais simples o que foi prescrito nas orientações que foram dadas”, disse o médico.
O Pró-Visão informou que ainda não utiliza o prontuário eletrônico por não ter recursos financeiros.
Fonte: Vanguarda News