De Belém, Renata Mielli
A multiplicidade de cores e vozes que se encontram neste Fórum Social Mundial 2009, em Belém do Pará, coloriu as ruas de Belém e ecoou por todos os continentes do planeta, reafirmando a luta por um outro mundo possível, sem guerras, sem discriminação, opressão e exploração. A marcha que abre oficialmente o Fórum Social Mundial reuniu mais de 80 mil pessoas que se concentraram na praça Pedro Teixeira (Escadinha) ao lado da Estação das Docas.
Logo no início da caminhada uma forte chuva caiu mas não dispersou os participantes da atividade. Nas faixas e palavras de ordem a principal bandeira era a denúncia do imperialismo estadunidense e sua política de terror contra os povos, o repúdio a ação terrorista do Estado de Israel nos recentes ataques contra o povo Palestino que vive na Faixa de Gaza, a defesa da Amazônia e do desenvolvimento sustentável e o combate às medidas que atacam os direitos dos trabalhadores.
A crise econômica em curso foi um dos principais assuntos presentes na marcha, com o repúdio as demissões que estão em curso e as medidas restritivas contra os trabalhadores.
Inscreveram-se para participar do FSM cerca de 90 mil pessoas e 5.680 organizações vindas de mais de 150 países que vão participar de cerca de 2.500 atividades até o dia 1º de fevereiro.
Durante o trajeto que passou pela Av. Presidente Vargas e atravessou a Avenida Nazaré até chegar à Praça do Operário representantes das organizações presentes se alternaram para deixar sua saudação aos participantes do Fórum e aos moradores de Belém.
A presidente do Conselho Mundial da Paz e do Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta dos Povos, a paraense Socorro Gomes ressaltou que o mundo não aceita a atitude belicista e de violação dos direitos humanos praticada pelo imperialismo norte-americano que é cresce em todo o planeta a resistência e a luta pela paz, que é na essencial a luta por um outro mundo possível.
O hino nacional foi cantado em vários momentos da caminhada. Manifestações culturais de várias lugares do Brasil também tiveram seu espaço ao longo do trajeto. Ao chegar na Praça do Operário, ativistas abriram as atividades no palco do FSM abrindo uma bandeira da Palestina e lendo um poema em solidariedade ao povo palestino barbaramente atacado pelo Estado de Israel. Em seguida, chegou à praça um bloco de índios oriundos de todas as regiões da Pan-Amazônia se iniciou uma série de atividades culturais.
Os índios de 380 comunidades estão apresentando danças típicas de etnias brasileiras e de outros países da América Latina. Um índio caiapó cantou o Hino Nacional em sua própria língua.