A ideia é simples e poderosa: classificar as 20 maiores indústrias farmacêuticas que realizam esforços para prover as populações dos países em desenvolvimento de medicamentos, tecnologias de diagnóstico e vacinas e divulgar a lista resultante num site da internet. O objetivo é incentivar as indústrias que já fazem o bem a fazer ainda mais e motivar outras companhias a seguirem o exemplo.
A iniciativa, da organização holandesa sem fins lucrativos Access to Medicine Foundation, dá ênfase à informação, preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de que o acesso aos medicamentos adequados poderia salvar 10 milhões de vidas a cada ano nos países pobres. Para a Organização Não-Governamental (ONG) holandesa, as proporções tão grandes da tarefa exigem a participação de todos: governos, organizações não-governamentais e iniciativa privada.
Para garantir a independência, a imparcialidade e a confiabilidade do ranking, a ONG captou os recursos necessários ao projeto com um grupo de organismos financiadores internacionais, que não inclui qualquer representante da indústria farmacêutica. O Access to Medicine Index, como foi nomeado o ranking, que exibe a britânica GlaxoSmithKline em primeiro lugar, foi obtido por meio de uma metodologia baseada em mais de duas dezenas de indicadores e oito critérios, entre eles a gestão de acesso a medicamentos; política pública de influência e lobby; pesquisa e desenvolvimento em doenças negligenciadas; patentes e licenças; avanços na capacidade de produção e distribuição de drogas; precificação justa; doação de medicamentos; e atividades filantrópicas.
Para a Novartis, que aparece em quarto lugar no index, ampliar o acesso de populações pobres a medicamentos é assumir uma responsabilidade que extrapola os aspectos puramente comerciais do negócio, como explica Renard Aron, diretor de Comunicação e Relações Públicas da companhia. "O critério de sucesso empresarial inclui hoje a promoção da igualdade social e do direito à saúde".
Em 2003, a empresa de origem suíça inaugurou em Cingapura o Instituto Novartis para Pesquisa em Doenças Tropicais, em uma parceria com o Comitê para o Desenvolvimento Econômico do governo deste país. O objetivo do instituto tem se concentrado na pesquisa para fornecer medicamentos a preço de custo a pacientes de países em desenvolvimento. Nos últimos cinco anos, o Instituto produziu e distribuiu gratuitamente 500 mil tratamentos DOTS (Directly Observed Therapy Short Course) para tuberculose, por meio da Aliança Global para Tuberculose, desenvolveu dois
dos três produtos usados na multidrogaterapia da hanseníase recomendada pela OMS e desenvolveu um tratamento ao custo de um dólar para malária, à base de artemisinina (artemeter + lumefantrina).
A GlaxoSmithKline, primeira colocada, destacou- se por investimentos em pesquisa de medicação para doenças negligenciadas como tuberculose, malária, doença de Chagas, leishmaniose e dengue, desenvolvidos em colaboração com organismos internacionais. A divulgação do index de acesso a medicamentos, em meados de junho último, teve ampla repercussão na imprensa internacional e especial destaque em jornais como o Financial Times e o The Guardian, britânicos, o francês Le Monde e o norteamericano New York Times. Veja abaixo a relação:

Fonte: Revista Pesquisa Médica