Denúncias de descumprimento de direitos trabalhistas pela empresa Takeda, no Amazonas, foram reafirmadas junto ao Ministério Público do Trabalho pelo Sinfam e por 60 farmacêuticos
O Sindicato dos Farmacêuticos do Amazonas está em meio a uma importante batalha pela reafirmação dos direitos dos trabalhadores. Diante do abuso das empresas em não cumprir com o pagamento de direitos como férias e 13º Salário, em abril deste ano, o Sinfam ingressou com uma denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho contra o grupo SB por obrigar o farmacêutico ser gerente, sub-gerente ou balconista.
O presidente do Sinfam, Antônio Ferreira de Oliveira Júnior falou ao site da Fenafar, onde esclareceu que desde então, "as denúncias só aumentaram. Eles não pagavam as nossas férias e nunca pagaram o décimo terceiro. Mas, dessa vez, eles estavam obrigando os farmacêuticos a pagarem do seu próprio bolso colegas para ficarem nos seus lugares durante suas férias. Aí, a empresa extrapolou".
Esta semana, uma nova audiência foi realizada pelo MPT com a presença de 60 farmacêuticos da empresa Takeda - distribuidora de medicamentos. Nela, os trabalhadores e o sindicato reafirmaram as denúncias de descumprimento dos direitos trabalhistas e alegaram estar sofrendo maus tratos, retaliações e ameaças por parte dos superiores.
De acordo com o presidente do sindicato, a Takeda emprega 80 farmacêuticos. Alguns deles, com dois e até cinco anos de carteira, começaram a sofrer retaliações da empresa após denunciar o descumprimento de direitos trabalhistas, entre os quais o pagamento do 13º salário e as férias de funcionários.
Para Antônio Júnior, essa denúncia se confirmou a partir do dia 18 deste mês, quando os denunciantes começaram a ser desligados da Takeda. "Nós vemos isso como perseguição aos colegas que contribuíram com o sindicato e com o MPT. Quem estava cooperando está sendo desligado", contou, salientando que cinco pessoas estariam nessa situação, entre as quais ele próprio.
"O sindicato tem assessoria jurídica e nós vamos a luta", afirma Antônio Júnior. Ele avalia que é difícil o MPT imunizar os farmacêuticos, disse que o sindicato vai entrar com uma ação de danos morais, pela perseguição aos farmacêuticos que estão colaborando com o MPT e Sinfar/AM.
O procurador-chefe de trabalho, Audaliphal Hildebrando, disse que a denúncia é grave, mas a empresa precisa ser ouvida, o que segundo o superintendente regional do trabalho, Dermilson Chagas, deverá acontecer na segunda quinzena de agosto.
Fortalecimento do sindicato
A atuação determinada do Sinfam está tendo reflexos positivos. Antônio Júnior, presidente do sindicato disse que os farmacêuticos estão retornando para a entidade. "Foi uma surpresa. O sindicato estava inativo há quase 20 anos. Mas, agora, voltou a lutar pelas causas da categoria. Muitas associações, inclusive farmacêuticos de outra rede, estão se sindicalizando, para nós podermos representá-los junto às suas empresas".
Por Renata Mielli, com informações de O Tempo