* Por José Liporage Teixeira
Isso, somente quem pode responder é o cidadão carioca, uma vez que, é ele o maior prejudicado ou beneficiado nesta história toda. A Intervenção se fez necessária por uma infinidade de fatores como desde a falta de alimentos e insumos básicos para atendimento nas Unidades como até pessoal especializado nas clínicas.
Intervir no atendimento nos hospitais do município é apenas o começo, pois o caos instalou-se em todos os níveis de atendimento como postos de saúde, hospitais da rede municipal e estadual, hospitais universitários e até porque não afirmar que a rede particular também sofre um certo tipo de pressão dos usuários dos planos de saúde uma vez que buscam atendimento complementar na rede pública e não encontram.
O decreto de calamidade pública nos hospitais do município do Rio de Janeiro foi solicitado pelos Conselhos Distritais de Saúde e Entidades ligadas à área de saúde (Governo e Organizações não Governamentais) devido ao absurdo da suspensão de atendimento aos usuários que necessitam do SUS pois somente eles podem realmente colocar a realidade do caos que está vivendo o SUS no município do Rio de Janeiro. Vale ainda acrescentar que não só o Município, mas todo o Estado está em pleno caos e ruptura das estruturas de base no que diz respeito ao atendimento médico básico á população.
Os postos de saúde não atendem à população: eles fecham nos feriados prolongados, finais de semana e datas comemorativas o que sobrecarregam as Unidades hospitalares que além de tudo foram esvaziados com projetos mal articulados como remédio em casa cuja idéia principal era esvaziar os postos de saúde e não os hospitais. O envio garantido de parte dos medicamentos não garante a aderência ao tratamento e ainda incentiva a auto-medicação, uma vez que não há acompanhamento clínico para garantir o sucesso do tratamento do paciente.
O maior problema do Município do Rio de Janeiro, à nível de saúde, é a falta da gestão em relação a aquisição, controle e manutenção de todo o material necessário para atender a população doente do Município do Rio de Janeiro, pois uma vez que temos orçamentos na casa numérica dos milhões, por que estamos distribuindo míseros centavos para a saúde ? Cadê o Gestor dessa situação ? Onde estão os administradores ? O que mais traumatiza a população não é só o fato de longas esperas em filas para uma consulta daqui há três meses, e sim, saber que quando sair da consulta, não irá obter o remédio gratuitamente, o que é um direito constituinte seu. Cabe à União, Estado e Município atender de forma igualitária e correta todos aqueles que precisarem do atendimento mais básico que seja até o mais caro.
Isto é apenas o início de uma longa intervenção que necessitará também de interferência no Sistema Básico de Saúde assim como mudanças no que diz respeito na atual gestão municipal além de educar a população dos seus direitos constitucionais.
Rio de Janeiro, 11 de Março de 2005
* É Farmacêutico do RJ /Diretor da Federação Nacional dos Farmacêuticos
Usuário do Sitema Único de Saúde