O Conselho de Representantes e a Diretoria da Federação Nacional dos Farmacêuticos reunidos nos dias 20, 21 e 22 de maio de 2005, na cidade de Goiânia reavalia a situação política do governo Lula .
Passados mais de dois anos do mandato do governo Lula, ainda presenciamos um quadro político e econômico desfavorável ao avanço e implementação de um projeto sustentável de desenvolvimento econômico e social baseado em mudanças estruturais.
A situação estabelecida se deve pela dominação de uma visão monetarista centrada no ajuste fiscal, ou seja, uma visão macroeconômica ortodoxa muito presente dentro do governo Lula, ainda que os índices econômicos apresentaram resultados positivos de crescimento na ordem de 5,2 % do PIB em 2004 e um crescimento de mais de 2 milhões de empregos gerados no mesmo ano.
O crescimento econômico e a geração de empregos não são sustentados, pois apresentam sinais de estagnação e de não recomposição da massa salarial. A política macroeconômica contínua sendo de aumento das taxas de juros inibindo o investimento interno e de crescimento econômico.
Durante estes dois anos o governo enfrenta uma campanha na mídia contrária às políticas mais avançadas, bem como uma rearticulação da oposição.
Nas eleições de 2004, a direita e o grande capital conseguiram, através de uma ofensiva política articulada e um discurso fortemente anti-governo, infligir uma das mais fortes derrotas políticas do governo, materializada principalmente nos resultados eleitorais de São Paulo e Porto Alegre. Com este resultado a oposição antecipa o debate da sucessão presidencial tornando-o mais agressiva.
Há uma mudança no quadro político principalmente após as eleições de 2004 e da eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados que mostra a desarticulação política e um grande retrocesso para a sociedade. Tal mudança coloca em xeque qual será o novo rumo no governo, pois mesmo com o crescimento e a manutenção do prestígio do Presidente, indicado pelas pesquisas de opinião, o governo enfrenta dificuldades para a manutenção da base de sustentação. A disputa interna do governo acaba prejudicando a implementação de políticas mais avançadas.
Mesmo enfrentando duras críticas do movimento sindical e social, o governo insiste em realizar reformas que não refletem os anseios da sociedade, a exemplo da reforma sindical.
Cabe destacar a condução da política externa, que mesmo enfrentado resistências obteve importantes êxitos diante da comunidade internacional, conseguindo dar maior visibilidade às demandas dos países em desenvolvimento, adotando posturas ao mesmo tempo serenas e soberanas nas negociações internacionais, políticas e de comércio, como por exemplo a realização da Cúpula envolvendo os países sul americanos e árabes, neste semestre de 2005, demonstrando uma visão estratégica há muito abandonada pelo pragmatismo deslumbrado e globalizante de governos anteriores firmando-se como um país líder perante a comunidade dos países sul americanos e em desenvolvimento.
Por fim, a Fenafar entende que são necessárias grandes mobilizações do movimento sindical e social, bem como a elevação da consciência política da população para disputar e exigir do governo o rumo político e econômico do país na busca de uma sociedade mais justa.