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SC: Sindicato elege nova diretoria. Veja entrevista com presidente Luiz Henrique Costa

Fenafar e Sindicato em ação

Os farmacêuticos de Santa Catarina foram às urnas virtuais para eleger a nova diretoria do Sindfar/SC. O novo presidente do sindicato, Luiz Henrique Costa, em entrevista exclusiva para o site da Fenafar, destacou os desafios da entidade para o próximo período: mostrar para a categoria que a saída para a pandemia e para os problemas que o Brasil vive é coletiva, e que o sindicato é o espaço para realizar essa luta.

A nova diretora assume a gestão para o triênio 2021/2024. A eleição ocorreu com uma única chapa inscrita, “Salário Ético é Salário Digno”. A eleição aconteceu no dia 12 de março pela internet. A comissão eleitoral foi formada pelas Farmacêuticas, Fernanda Mazzini, (presidente) Caroline Junckes da Silva Chaves e Monica Cristina Nunes da Trindade, e homologou o resultado no mesmo dia, declarando eleita a chapa.

Luiz Henrique Costa tem uma longa tragetória na luta em defesa da categoria farmacêutica. Já foi presidente do Sindfar/SC na década de 90, onde os desafios do movimento sindical eram outros. É doutor em Ensino na Saúde pelo Programa de Pós Graduação, Psicologia Clínica e Cultura do Instituto de Psicologia da UnB (2016), mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal de Santa Catarina (2002) e tem especialização em Farmacotécnica Homeopática. Foi presidente da Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico (ABENFAR - 2009 a 2011). Foi coordenador geral de Assistência Farmacêutica do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde (MS) de 2011 a 2016. Desde 2002 é professor titular da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB). 

Na entrevista, Luiz Henrique faz uma análise breve do cenário político e econômico e mostra como o ataque ao movimento sindical é parte de uma estratégia do atual modelo neoliberal, para impedir a organização dos trabalhadores contra medidas de desmonte de direitos. Ressalta que tanto o enfrentamento contra os ataques aos direitos trabalhistas, quanto a luta em defesa da vida que se coloca hoje diante da pandemia e da omissão do governo federal no seu enfrentamento, passam por saídas e lutas coletivas. "Não posso afirmar que houve uma mudança na visão da categoria sobre o sindicato, mas posso afirmar que há uma oportunidade de demonstrar para a categoria que a saída para a pandemia é coletiva, é a vacinação em massa, assim também como as lutas pelos nossos direitos”. Leia abaixo na íntegra.

Os últimos anos foram marcados por uma forte ofensiva contra o movimento sindical e os direitos trabalhistas. O cenário de precarização do trabalho e desmonte dos sindicatos se agravou no contexto da pandemia da Covid-19. Como esse cenário impactou a atuação do sindicato em Santa Catarina?
Luiz Henrique Costa:
A realidade do mundo do trabalho e da sua representação sindical tem se agravado com a crise capitalista. A ofensiva empresarial e do sistema financeiro, que comanda a economia mundial, impõe uma maneira de viver no qual os trabalhadores são submetidos à condições de trabalho muito precárias. Essa situação se agravou em 2016, com o rompimento da democracia no Brasil, tanto no governo Temer - que promoveu a reforma trabalhista, e depois no governo Bolsonaro, que aprovou a reforma da previdência. São reformas que atacaram direitos fundamentais dos trabalhadores. 

Atacaram a organização dos sindicatos e o financiamento dos sindicatos com o fim do imposto sindical, foi um sufocamento. Impuseram restrições de financiamento do sindicato pela sua base de trabalhadores, a forma das contribuições. Tudo isso ao lado das medidas neoliberais na economia, arrocho salarial, concentração de renda. Por isso eles precisavam enfraquecer a ação sindical. Aqui no Sindicato dos Farmacêuticos de Santa Catarina não foi diferente. A situação do sindicato é muito difícil. 

Mas, além do ataque direto ao sindicato, temos que considerar também a ideologia dominante, que constrói uma narrativa contra o sindicatos. Os trabalhadores no geral, e os farmacêuticos em particular, foram construindo uma aversão à palavra sindicato a partir desse discurso ideológico. Nosso desafio é mostrar para os trabalhadores que os sindicatos são a expressão coletiva das categorias dos trabalhadores, e que através deles [sindicatos] é que se consegue manter ou reconquistar direitos perdidos: recomposição salarial, jornada de trabalho, condições de trabalho.

A pandemia veio agravar ainda mais essa situação. E os farmacêuticos estão na linha de frente do trabalho em saúde nas farmácias comerciais, hospitalares, na universidades, em todos os espaços, na produção de medicamentos e vacinas. É uma categoria que precisar ser valorizada, como os trabalhadores da área da saúde como um todo. 

Esse é o principal desafio na nova diretoria: recolocar o sindicato como entidade representativa e continuar a luta da gestão anterior, que foi dura, enfrentou todo esse golpe. Nós recebemos o sindicato já com a perspectiva de alguma oportunidade de ofensiva, de derrotar essa política de Bolsonaro que ainda tem muita força, mas a categoria precisa abrir os olhos e entender que o Bolsonaro não é bom para a categoria, não é bom para a saúde e nem para o Brasil.

Na sua avaliação, a eclosão da pandemia trouxe alguma mudança no comportamento da categoria, no reconhecimento da importância do sindicato e da necessidade de uma luta coletiva para garantir os direitos?
Luiz Henrique Costa: Precisamos nos aproximar da categoria, e já estamos fazendo isso, conversando com os farmacêuticos - mesmo com a necessidade de isolamento social. Há uma sobrecarga de trabalho, com risco de adoecimento e morte entre os profissionais farmacêuticos e precisamos reforçar que a saída é coletiva e que superar a pandemia é uma questão social, de pressão sobre os estados e governos que coloquem a vida em primeiro lugar, o direito à vida e não a economia. Nós farmacêuticos também estamos sendo colocados em riscos em todos os âmbitos profissionais, os professores, os que atuam diretamente no atendimento à saúde, nas fábricas, na vigilância que são serviços essenciais. Portanto, não paramos e estamos expostos também. 

Não posso afirmar que houve uma mudança na visão da categoria sobre o sindicato, mas posso afirmar que há uma oportunidade de demonstrar para a categoria que a saída para a pandemia é coletiva, é a vacinação em massa, assim também como as lutas pelos nossos direitos. Tivemos aí o veto do Bolsonaro à reparação das famílias que tiveram vítimas de Covid-19, por exemplo. É preciso denunciar isso.

Como foi realizar uma eleição sindical nesse cenário?
Luiz Henrique Costa: Foi um desafio realizar a eleição sindical nesse cenário, diante da precariedade do sindicato, e construir uma chapa. Porque as pessoas perderam o interesse e também há um cansaço diante do enfrentamento nessa situação terrível que o Brasil está. Mas conseguimos montar uma chapa única, conseguimos usar bem a tecnologia e chegar a todos os farmacêuticos, fazer uma votação eletrônica e ter um bom resultado. Nesse cenário de pandemia houve um aprofundamento do uso das tecnologias o que facilitou.

Quais são os principais desafios que você identifica para a atuação do sindicato no próximo período?
Luiz Henrique Costa: Nosso principal desafio é viabilizar a entidade sindical e, pelo menos, dobrar neste primeiro ano o número de associados, para valorizar o profissional farmacêutico e valorizar o sindicato como entidade que defende o direito à saúde, o SUS, e condições de trabalho e remuneração dignas para os farmacêuticos e o conjunto dos trabalhadores. 

O nosso sindicato ao lado de todos os sindicatos dos farmacêuticos do país precisamos fortalecer a Federação Nacional dos Farmacêuticos. Temos muito claro a importância da Fenafar no contexto do país e o papel do presidente, Ronald Ferreira dos Santos, junto ao Conselho Nacional de Saúde e aqui no estado junto ao comitê da pandemia estadual e ao Conselho Estadual de Saúde. 

O desafio dos sindicatos é ocupar os espaços e se aproximar dos trabalhadores, para eles sentirem a presença do sindicato e a atuação sindical. Precisamos fortalecer a luta dos movimentos sociais como um todo e fazer a luta em defesa de uma sociedade mais justa, igualitária e o enfrentamento dessa política neoliberal, autoritária, fascista, militarista que a gente vive no nosso país.

Da redação, por Renata Mielli
Publicado em 23/03/2021

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